Quarteto Fantástico: Primeiros Passos | Crítica

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos | Crítica

A Marvel Studios finalmente compreendeu o verdadeiro potencial narrativo do Quarteto Fantástico. Em vez de insistir em uma origem expositiva ou tentar emular a fórmula saturada de seus últimos filmes, “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” estabelece um novo padrão para adaptações de supergrupos clássicos: cinematografia autoral, ambientação retrofuturista e foco total no desenvolvimento de personagens. O resultado é um longa que não apenas resgata a essência da Primeira Família da Marvel, mas a reposiciona como eixo central da expansão cósmica do MCU.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Ambientado em uma Terra alternativa, com visual retrô que mistura art déco e sci-fi sessentista, o filme de Matt Shakman já se diferencia pela proposta estética. O mundo apresentado remete diretamente aos quadrinhos da Era de Prata, com destaque para os uniformes azul-royal, os veículos com design anguloso e a presença de tecnologia anacrônica que evoca Jack Kirby com respeito, mas sem pastiche. A proposta é clara: criar um universo com identidade própria, coeso e distinto dentro do multiverso Marvel.

A narrativa opta por um ponto de entrada pós-formação da equipe, eliminando a necessidade de repetir a origem já conhecida. Essa escolha permite que o roteiro de Josh Friedman e Jeff Kaplan mergulhe diretamente nas consequências psicológicas e sociais dos poderes. A trama gira em torno do impacto emocional que a equipe sofre ao decepcionar um mundo que os venerava, e ainda que essa crise pública seja resolvida com certa rapidez, ela estabelece o tom mais introspectivo da obra.

Pedro Pascal assume o protagonismo com uma leitura mais contida e melancólica de Reed Richards. Seu Sr. Fantástico carrega um peso emocional real, lutando para conciliar genialidade com responsabilidade ética, o que o aproxima de leituras clássicas do personagem em arcos como “Ultimate Fantastic Four” e “Marvel Knights”. Vanessa Kirby, por sua vez, entrega talvez a versão mais relevante de Susan Storm no audiovisual até hoje. Forte sem ser caricata, emocional sem ser passiva, ela é o ponto de ancoragem da equipe tanto narrativa quanto moralmente.

Joseph Quinn surpreende como Johnny Storm, evitando o estereótipo do piadista raso e entregando um Tocha Humana espirituoso, impetuoso, mas com camadas de insegurança. O destaque, no entanto, é Ebon Moss-Bachrach, que oferece uma performance poderosa como Ben Grimm. Seu Coisa é brutal em presença física, mas com uma vulnerabilidade que remete diretamente à complexidade do personagem nos quadrinhos de Lee e Kirby.

A introdução de ameaças cósmicas, como Galactus e Surfista Prateado, é feita com equilíbrio narrativo e grande apelo visual. Julia Garner oferece um Surfista elegante e silencioso, quase abstrato, enquanto o Galactus de Ralph Ineson é construído com monumentalidade e tom shakespeareano, imponente sem ser dependente de destruição em massa. As cenas de confronto ganham força pela direção de arte e pelos efeitos visuais menos saturados. Há textura, contraste e propósito em cada sequência.

Tecnicamente, o filme é uma resposta direta à crítica sobre a homogeneização visual do MCU. Os efeitos especiais são integrados a sets reais, a paleta de cores rejeita os filtros acinzentados e o design de produção contribui ativamente para a construção de mundo. A trilha sonora de Michael Giacchino também é destaque: mistura de orquestra clássica com sintetizadores analógicos, ela reforça tanto o caráter épico quanto o saudosismo sci-fi da proposta.

“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” funciona como reboot, como carta de intenções estética, e principalmente como ponte para o que virá em “Vingadores: Juízo Final”. Mas o que impressiona é que, mesmo com esse peso estratégico, o filme tem coragem de ser menor, mais focado, quase filosófico em momentos-chave. A ação existe, mas nunca sobrepõe o drama. A escala é cósmica, mas os dilemas são humanos.

Marvel resgata o que tornou o Quarteto relevante em 1961 e, pela primeira vez no cinema, entende que a força do grupo não está em seus poderes, mas em sua ligação emocional, em sua disfunção familiar e em sua constante busca por pertencimento em um universo que eles mal compreendem.

Avaliação: 4 de 5.

“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”
Direção: Matt Shakman
Elenco: Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn, Ebon Moss-Bachrach, Julia Garner, Ralph Ineson
Disponível nos cinemas a partir de 24 de julho de 2025.

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